Música Solar Para Tempos Sombrios traz de volta o pop bem humorado com influência de
jazz de Blubell. É também um livro/disco. Um "lisco", como ela mesma gosta de chamar.

 

São nove faixas de autoria dela, uma em parceria com Zélia Duncan. São também nove crônicas,
cada uma inspirada em uma faixa do disco. No livro editado pela Lyra das Artes, Blubell sugere que o leitor leia a crônica e depois ouça a faixa de mesmo nome, para mergulhar nas bem-humoradas histórias das canções que ela escreveu entre 2018 e 2019, durante um período tortuoso de sua vida.

 

A faixa O Futuro abre o trabalho com o pé na porta. Com um clipe "à la Bond girl", filmado no
Sul da Bahia e editado pela própria artista, a música fala da não linearidade do tempo, e nos
convida a sonhar em meio às trevas. Em Música Americana, Blubell contesta, em letra ácida e
divertida, a "heresia" que é para uma artista brasileira ter influências anglo-saxônicas. Em Blues do Pijama, parceria de Blubell e Zélia Duncan, elas fazem dueto em clima de filme noir. Ná Ozzetti e Suzana Salles entoam o mais luxuoso dos coros no hilário e elegante bolero "A Nata Sou Eu". Destaque também para a balada "samba-canção moderno" No Banco de Trás. E para a bucólica The Bright Side Of The Moon.

 

Gravado "ao vivo"ou "à moda antiga" nos estúdios da Gargolândia e lançado pela Ybmusic, o
álbum tem direção musical de Blubell e Luca Raele (Mônica Salmaso, Nouvelle Cuisine), que também desfila seu intrépido clarinete por várias das faixas. A bateria firme e macia de Richard Ribeiro se amalgama ao piano caloroso de Danilo Penteado. Igor Pimenta se divide entre brilhantes linhas melódicas no baixo elétrico e finesse no baixo acústico. O quarteto faz uma bela cama para que Blubell deite sua voz aveludada.

 

O livro vem ao mundo recheado de ilustrações da artista Juliana Russo, com projeto gráfico do
artista visual Daniel Banin, com um formato surpreendente. Para cada canção, uma crônica, e
para cada crônica, uma ilustração, formando um conjunto multilinguagem que é a cara da autora.
Roberta Estrela D'Alva dá o recado na orelha: "Amo o fato de que uma mulher seja isso: compositora. Que crie mundos, narre as suas histórias nesse trabalho de lapidação, como uma escultora. E de quebra, ainda apareça com humor, como uma crooner sarrista aqui e ali pra rir de si mesma, da sua fragilidade e da bizarrice do mundo. Com leveza e encantamento."